DF realiza primeira cirurgia para diabetes do tipo 2 do SUS

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A saúde pública do Distrito Federal fez história, nesta terça-feira (25). O Hospital Regional da Asa Norte (Hran) realizou, com sucesso, a primeira cirurgia do Brasil para tratar diabetes do tipo 2 pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento, que durou pouco mais de 40 minutos, foi transmitido ao vivo para os convidados, no auditório da unidade.

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A intervenção foi comandada pelo médico Renato Teixeira, coordenador do Serviço de Cirurgia do Diabetes do Distrito Federal. De acordo com ele, a paciente não respondia ao tratamento clínico contra a doença, que continuava a evoluir e com risco de causar uma cegueira.

“Estamos sendo inovadores em Brasília. A cirurgia é efetiva para o diabetes, e muito segura. Com isso, podemos evitar mortes, sequelas, infarto e diminuir o custo dos medicamentos que esses pacientes usam a vida toda. Pelo Ministério da Saúde, são gastos em torno de R$ 1 bilhão somente com medicamentos”, informou o cirurgião, durante a operação.

Conforme explicou o médico sobre o procedimento, o paciente com diabetes do tipo 2 é beneficiado quando o trânsito do alimento é desviado do estômago direto para o final do intestino. Lá, é produzida a substância incretina, que atua no pâncreas e o faz produzir insulina mais rápido, reduzindo, desta forma, os níveis de glicose no sangue.

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PROCEDIMENTO – Na cirurgia, considerada minimamente invasiva, o estômago é cortado em duas partes. Depois, o intestino é cortado em forma de Y e uma dessas partes é ligada ao estômago. Assim, o alimento é desviado para mais próximo do final do intestino.

Antes, a cirurgia era realizada no Brasil como pesquisa e de forma experimental, apenas na rede privada. Contudo, em 2018, o Conselho Regional de Medicina (CRM), pela Resolução n° 2.172, autorizou a inserção do tratamento cirúrgico para o diabetes.

“O GDF, de forma inovadora, e respeitando o CRM, foi o primeiro a regulamentar o procedimento no âmbito do SUS”, ressaltou Renato Teixeira.

“Essa cirurgia, dentro do SUS, é a primeira de muitas outras que darão certo. Isso garantirá uma expansão muito grande no atendimento em Brasília, possibilitando uma vida melhor para muitos desses pacientes”, afirmou o secretário de Saúde, Osnei Okumoto.

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“Durante 16 anos, fiz uso de remédios para diabetes. Há cinco anos, não faço mais uso de um remédio sequer”, afirma. “Essa cirurgia custou R$ 35 mil no Albert Einstein. Aqui, ela vai sair de graça”, ressaltou.

De acordo com o governador, o grande sucesso da cirurgia é que ela não precisa ser feita apenas em obesos, o que traz um conforto de vida a pessoas que têm diabetes remitente, sendo feita na fase inicial da doença, quando o pâncreas ainda funciona. “Vamos buscar recursos para tirar as mais de 2,5 mil pessoas da fila de cirurgia para diabetes no DF. E, certamente, essa fila vai se ampliar, quando tiverem notícias do êxito desse procedimento”.

EXPERIÊNCIA – Um dos que passaram por esse procedimento, no Hospital Israelita Albert Einstein, foi o governador Ibaneis Rocha, presente ao evento. Ele conta que, há cinco anos, precisou fazer a cirurgia, uma vez que ficou diabético aos 29 anos.

PIONEIRO – Com a criação deste procedimento, o DF se iguala a grandes serviços e universidades internacionais. E, no Brasil, torna-se pioneiro ao realizar a primeira cirurgia desse tipo pelo SUS.

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As vantagens da cirurgia incluem: um controle efetivo dos níveis de glicemia; diminuição importante da mortalidade, doenças renais, cegueira, amputações e custos para o SUS; na maioria dos casos, representa uma retirada dos medicamentos, incluindo insulina; além do aumento na qualidade de vida do paciente e sua reinserção na vida social saudável.

Os resultados da cirurgia serão publicados em revistas científicas reconhecidas internacionalmente, colocando Brasília como referência e destaque no cenário mundial do tratamento cirúrgico do diabetes do tipo 2.

O objetivo, com a criação do serviço de cirurgia do diabetes, é oferecer uma opção segura e efetiva ao paciente com o tipo 2 da doença, não obeso grave, antes que venha a falecer ou ter sequelas com a falta de efetividade do tratamento clínico. Entre as complicações relacionadas à doença, é possível citar cegueira, infarto, insuficiência renal, entre outras complicações.

DIABETES – É uma doença caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue, sendo a primeira causa de morte não traumática no mundo.

Existem o tipo 1 e o tipo 2 da doença. No tipo 1, a pessoa já nasce com ela devido a alterações no pâncreas. No tipo 2, a pessoa adquire a doença devido, geralmente, à predisposição e associação à obesidade.

A prevalência de obesidade, no Brasil, é de 10%, afetando cerca de 450 mil pessoas no Distrito Federal e Entorno, e atingindo cada vez mais as crianças.

DADOS – O diabetes do tipo 2, ao contrário do que muitos pensam, tem mortalidade e sequelas maiores do que o do tipo 1.

No Brasil, a cada mil pessoas com diabetes do tipo 2, um total de 27 morrem, por ano, devido a infarto do miocárdio. Metade das pessoas com diabetes do tipo 2 vão desenvolver doença renal grave. Aproximadamente, 80% das pessoas em hemodiálise têm diabetes. Além disso, um paciente, a cada dez, terá comprometimento grave da visão. A amputação é 20 vezes mais comum em pacientes com diabetes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou estado de epidemia para a doença, devido ao grande aumento no número de casos diagnosticados por ano, sendo projetado um aumento de cerca de 70% em 15 anos se nada for feito. Leandro Cipriano, da Agência Saúde

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