Seminário aborda situação de pacientes com doença falciforme no DF

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A Fundação Hemocentro de Brasília promoveu, nesta terça-feira (25), o seminário sobre o Programa de Atenção Integral aos Pacientes com Doença Falciforme no Distrito Federal. Na mesa de abertura, o secretário de Saúde, Osnei Okumoto, garantiu que melhorias serão trazidas aos pacientes do Distrito Federal, como a reforma do espaço de atendimento no Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

“Assinando o contrato de manutenção predial com a empresa vencedora, será possível fazer as devidas modificações na estrutura para atendermos melhor no ambulatório e fazer o melhor atendimento dos pacientes com doença falciforme”, informou Okumoto.

Outra novidade, apresentada pelo chefe da pasta, é a possibilidade de trazer para Brasília equipes de saúde de outros estados que desejarem realizar o transplante de células-tronco hematopoéticas a partir da medula óssea. O procedimento é considerado uma alternativa a mais para ajudar no combate à doença e no tratamento dessas pessoas.

“Precisamos reunir todos os nossos especialistas para tomar essa decisão em conjunto. Mas queremos que Brasília se torne um centro de extrema importância para o atendimento desses pacientes, principalmente das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste”, ressaltou o secretário.

SEMINÁRIO – No seminário, foram abordados os avanços na política de atenção integral do DF, o atendimento multidisciplinar e em diferentes níveis de complexidade, além de apresentar a relevância do suporte hemoterápico qualificado.

A diretora-presidente da Fundação Hemocentro de Brasília, Bárbara Simões, lembrou que a sistematização do cuidado da pessoa com doença falciforme começou em 2013. Contudo, foi em 2018, por um esforço coordenado pelos profissionais de saúde do Hemocentro, que foi lançada a Portaria n° 1.310, marco na assistência desses pacientes.

“A portaria orienta, em detalhes, a organização da assistência na Atenção Primária, urgência e emergência, assistência farmacêutica, e atenção psicossocial e nutricional. É um instrumento importante de trabalho dos profissionais de saúde para dar qualidade ao atendimento dos pacientes com doença falciforme”, explicou.

O evento também celebrou o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, comemorado no dia 19 de junho, e orientou profissionais de saúde, estudantes da área e portadores de hemoglobinopatias.

DOENÇA FALCIFORME – A moléstia é genética, hereditária, caracterizada por uma alteração nos glóbulos vermelhos do sangue (hemácias) e tem presença expressiva na população brasileira. De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, cerca de 60 mil pessoas vivem com a doença falciforme. No Distrito Federal, há cerca de 1.500 portadores cadastrados.

O paciente com doença falciforme apresenta alterações no sangue. As hemácias falciformes são mais rígidas e têm dificuldades para passar pelos vasos sanguíneos mais finos, causando, assim, a obstrução desses vasos e dificuldade na circulação do sangue (microinfartos). Essa alteração é predominante entre negros, pardos e afrodescendentes em geral.

Devido ao problema, o paciente tem anemia com cansaço e sente dor em diversos órgãos e aumenta o risco de acidentes vasculares cerebrais e tromboses. Os doentes falciformes também ficam mais expostos a infecções, feridas difíceis de cicatrizar, fadiga e icterícia (olhos amarelados).

Infelizmente, pacientes com doença falciforme têm alta morbidade, redução da capacidade de trabalhar e baixa expectativa de vida. Por isso, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a medicação necessária para minimizar as complicações da doença.

DIAGNÓSTICO PRECOCE – O Teste do Pezinho, realizado em bebês entre o terceiro e quinto dia de vida, é essencial para garantir o diagnóstico precoce, prevenindo infecções e outras complicações, além de proporcionar orientação familiar e para o autocuidado.

Cerca de 2,4 milhões de recém-nascidos passam pelo teste anualmente. A doença falciforme e o hipotireoidismo congênito somam uma média de 77% dos casos diagnosticados, segundo o Ministério da Saúde.

CELEBRAÇÃO – Em 2008, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o 19 de junho como o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme (DF). A data abre espaço para o debate sobre a doença, que tem presença expressiva na população brasileira.

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