Pelé, 80 anos em 80 dias: Pepe diz o que faz de Pelé o Rei do Futebol

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José Macia Pepe se denomina o maior artilheiro humano da história do Santos, isso porque na sua frente só está um “tal” de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, considerado como extraterrestre pelo companheiro. Feliz foi o futebol e o Alvinegro Praiano, que não só foi privilegiado em tê-los em campo, como viu Pelé e Pepe atuando juntos durante 13 anos ininterruptos.

 Pelé fez história no Santos, na Seleção Brasileira e no New York Cosmos (Foto: Acervo Pelé/Divulgação)

Em homenagem aos 80 anos do “Rei da Bola”, como o “Canhão da Vila” chama o seu eterno companheiro de ataque, Pepe, em conversa exclusiva com o explicou o motivo no qual considera Pelé o maior jogador de história. O Rei do Futebol completou 80 anos no último dia 23 em homenagem, preparou a série “Pelé, 80 anos em 80 dias”, com tributos desde a sexta-feira.

– Único jogador completo que eu vi: pela direita, pela esquerda, cabeceio, chute, impulsão, tudo direitinho. Eu jogava ao lado dele e não era fácil coisa nenhuma, porque ele fazia coisas diferentes e você tinha que acompanhar o raciocínio dele – disse Pepe, hoje com 85 anos, à reportagem .

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A reverência a Pelé não ficou restrita aos títulos e premiações pelo mundo afora. O legado de seu futebol rendeu frases de efeito de ex-companheiros, de jornalistas, de personalidades de todas as áreas e até de autoridades. O LANCE! recorda 20 declarações sobre o Rei. Confira!

“Se Pelé não tivesse nascido gente, teria nascido bola” ,

“Pelé não tinha um pingo de sofreguidão. Era tamanha a superioridade técnica, tão notável a força física e mental, que dentro ou fora da área, aterrorizava todo mundo. Daí, ter feito todo tipo de gol que alguém possa imaginar”

“É um menino, um garoto. Se quisesse entrar num filme da Brigitte Bardot seria barrado, seria enxotado. Mas reparem: é um gênio indubitável. Digo, e repito. Pelé podia virar-se para Michelangelo, Homero ou Dante e cumprimentá-los com íntima efusão

“O que eram certas jogadas de Pelé se não cínicos e deslavados milagres

“Íamos jogar na África, por exemplo. Aí descia o Pelé primeiro. Vinha uma multidão por todo lado, ficávamos esperando, aí descia todo o resto” – ZITO, ex-meio-campista colega de Pelé no Santos e na Seleção Brasileira.

“É o Pelé na Terra e Deus no céu” – CARLOS ALBERTO TORRES, capitão do tri na Copa do Mundo de 1970 e colega do “Rei” no Santos.

“Vai levar 100 anos para aparecer um novo Pelé” – DIDI, campeão da Copa do Mundo em 1958 e 1962 com o “Rei”.

“Pelé tinha em altíssimo nível todas as virtudes e características técnicas, físicas e emocionais de um craque. Por isso, foi o craque dos craques” – TOSTÃO, campeão da Copa do Mundo de 1970 com Pelé

“Foi o jogador mais completo que eu já vi” – FRANZ BECKENBAUER, ex-colega de Pelé no Cosmos.

“Ele era um atleta maravilhoso” – GORDON BANKS, responsável por fazer uma das defesas mais bonitas da histórias das Copas em cabeçada de Pelé no duelo Brasil 1 x 0 Inglaterra, em 1970.

“Sempre houve jogadores notáveis, mas nenhum como ele” – HENRY KISSINGER, diplomata dos Estados Unidos

“Jesus Cristo fez a fôrma de Pelé e depois jogou fora” – JAIR ROSA PINTO, ex-meia com passagens por Vasco, Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Seleção Brasileira.

A apresentação de slides continua no próximo slide

“Pelé é o maior jogador de futebol da história” – PLATINI, ex-jogador da França e ex-presidente da Uefa.

 Site oficial do Flamengo

“Na profissão que ele escolheu, foi o maior de todos. Todo mundo vai ser o segundo, porque o primeiro é ele. É como diz o Pepe (ex-jogador do Santos): lenda não vale” – ZICO, ao “Esporte Interativo”

“Esperamos em Londres a visita do incomparável Pelé” – RAINHA ELIZABETH II, que o condecorou em 1997 como Cavaleiro do Império Britânico

“Ninguém tratou a bola melhor do que Pelé” – FIORI GIGLIOTTI, locutor esportivo.

“Obrigado, Brasil, por Pelé. Parabéns, Brasil, por causa de Pelé” – CAETANO VELOSO, cantor, compositor, que escreveu “Love, Love, Love” (em referência à declaração do “Rei” ao encerrar sua carreira no Cosmos). Declaração feita em reportagem do “Esporte Espetacular”, da Rede Globo.

“Você, meu grande Pelé, é um gênio completo, porque o seu futebol representa um reflexo imediato de sua cabeça nos seus pés. Eu não sou gênio, não. Eu tenho que pensar um bocado para que a mão transmita direito o que a cabeça lucubrou. Meus gols são mais raros que os seus. Você é com justa razão chamado o Rei. Quanto a mim, que rei sou eu?” – VINICIUS DE MORAES, poeta, diplomata, dramaturgo e compositor, em 1966, sobre o fato de ambos terem sido condecorados ao mesmo tempo pelo governo da França. Pelé, no grau de Cavaleiro, e Vinicius, como Oficial.

“O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols como Pelé. É fazer um gol como Pelé” – CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, poeta

José Macia acredita que o Rei manteria a sua majestade independentemente da época que atuasse. Ainda assim, o Canhão também crê que o momento onde Pelé brilhou foi o ideal, já que o futebol contemporâneo preza mais pela marcação do que o ataque.

– No futebol atual é humanamente impossível fazer os estragos que o Pelé fazia na nossa época. Logicamente, apesar de ser muito marcado, a gente tinha, não só pelas condições técnicas dele, uma movimentação muito grande e ficava difícil. Muita gente tentou o marcar homem a homem, como fazem agora – afirmou o ex-jogador.

Dizer que no futebol atual ele não seria brilhante, seria sim. Embora o futebol no momento a preocupação maior dos treinadores é não deixar jogar, quase ninguém se preocupa em jogar e fazer gols, tem que marcar, fazer isso e aquilo. A presença do Pelé foi na época certa – acrescentou.

Em eras seguintes do futebol, grandes atletas foram comparados a Pelé. Pepe cita dois, mas acredita que a dupla não coleciona tantos atributos técnicos como o Rei.

– Hoje tem Lionel Messi, já teve Maradona, jogadores incríveis, maravilhosos, mas que não teve todos os atributos que o Rei da Bola teve – pontuou o Canhão da Vila.

Pepe chegou ao Santos em 1954, dois anos antes de Pelé, e nunca vestiu outra camisa. Se aposentou em 1969. Já o Rei, ficou no Peixe até 1974, quando se transferiu para o New York Cosmos, dos Estados Unidos. Juntos, pelo Alvinegro, os dois balançaram as redes 1.494 vezes.