Partidários e críticos de Lula se mobilizam antes de sessão no STF

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Partidários
e críticos de Lula se manifestam nesta terça-feira (3) em todo o Brasil
na véspera da sessão do STF que pode resultar na prisão do
ex-presidente, favorito às eleições de outubro.
O
Supremo Tribunal Federal (STF) julgará um pedido da defesa de Luiz
Inácio Lula da Silva, condenado em segunda instância por corrupção
passiva e lavagem de dinheiro, para que permaneça em liberdade até que
sejam esgotadas todas as instâncias judiciais.
O
ex-presidente foi condenado por aceitar um apartamento tríplex no
Guarujá, litoral de São Paulo, da empreiteira OAS em troca de
beneficiá-la em contratos com a Petrobras.
Se
o recurso for aceito, o caso poderá se arrastar por anos, e Lula
continuará, assim, fazendo campanha eleitoral. Mas se for rejeitado, o
líder do Partido dos Trabalhadores (PT), de 72 anos, pode ser preso para
cumprir a sentença de 12 anos e um mês de prisão.
Qualquer
que seja a decisão, terá enorme repercussão sobre eleições que se
antecipam como as mais indefinidas desde o retorno do país à democracia,
em 1985.
“Não
é exagero afirmar que este é, provavelmente, um dos julgamentos mais
importantes da história do STF porque ele vem na esteira de uma
modificação da Constituição brasileira e do novo código de processo
civil na expectativa de garantir celeridade ao sistema criminal do
Brasil”, afirmou a procuradora-geral da República, Raquel Dodge.
– Pressões –
“Vamos
pressionar o STF”, pediu a seus seguidores o movimento “Vem Pra Rua”, a
organização que foi muito ativa durante o movimento de impeachment que
tirou do poder a presidente Dilma Rousseff, em 2016.
O
grupo convocou manifestações em 117 cidades para pedir que se mantenha a
jurisprudência que permite prender um condenado em segunda instância, o
caso de Lula.
O
direitista “Movimento Brasil Livre” (MBL), por sua vez, anunciou atos
em todos os estados do país, sob o lema “Ou você vai ou ele [Lula]
volta”, exigindo “a prisão do maior bandido do país”.
No
clima de hostilidade que se agravou após o disparos efetuados em 27 de
março no Paraná contra a caravana de Lula pelo sul do país, a Central
Única dos Trabalhadores (CUT) fará na tarde desta terça-feira uma
vigília em frente à residência de Lula em São Bernardo do Campo, no ABC
paulista.
“A
condenação do ex-presidente Lula é política, sem nenhuma prova. O
presidente é inocente e todos sabem disso. Eles só querem impedir Lula
de se candidatar nas eleições deste ano”, declarou o presidente da CUT,
Vagner Freitas, em nota, na qual informou que a central fará atos em
todo o Brasil.
A
procuradora-geral se pronunciou pelo respeito à norma que pode levar
Lula à prisão. A existência de quatro instâncias de apelação é um
“exagero [que] aniquila o sistema de Justiça exatamente porque uma
Justiça que tarda é uma Justiça que falha”, disse Dodge durante reunião
com juristas em Brasília.
– Segurança reforçada, Justiça dividida –
Em
Brasília, o esquema de segurança no entorno do Supremo será reforçado
durante a sessão de quarta-feira, prevista para começar às 14H00. As
ruas vizinhas ao prédio serão bloqueadas e serão instaladas cercas e um
cordão de isolamento policial para manter os manifestante separados,
informou a Secretaria de Segurança da capital federal.
A
pressão sobre os magistrados teve novos capítulos na segunda-feira,
quando advogados, juízes e promotores de grupos antagônicos levaram ao
STF abaixo-assinados separados com milhares de assinaturas para defender
as duas posições divergentes.

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