PF vê Cristiane Brasil em ‘posto de comando’ no Ministério do Trabalho

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No pedido que baseou a segunda fase da Operação Registro Espúrio,
a Polícia Federal apontou que a deputada federal Cristiane Brasil
(PTB-RJ), mesmo tendo sido vetada pela Justiça de assumir o Ministério
do Trabalho, passou a ter um “posto de comando” na Secretaria de
Relações do Trabalho da Pasta, “com evidentes indícios de manipulação e
direcionamento de processos de registro sindical”.

Investigadores apontam que a petebista integrou a organização criminosa que atuou na Secretaria de Relações do Trabalho.

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“O conteúdo das conversas revela que, em que pese ter sido impedida por
decisão judicial de tomar posse como Ministra do Trabalho no início do
corrente ano, Cristiane Brasil passou a exercer grande influência no
órgão. Os diálogos demonstram que Cristiane Brasil, mesmo não ocupando
formalmente qualquer cargo na estrutura do Ministério do Trabalho, foi
alçada, na prática, a um posto de comando na Pasta, fortalecendo a
estrutura de atuação do ‘Subnúcleo PTB'”, afirmou a PF ao Supremo.



Para a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, “a breve análise
feita em um dos telefones deste investigado (Renato Araújo) deixou
patente a existência de veementes indícios da participação da filha de
Roberto Jefferson, a deputada federal Cristiane Brasil, na Organização
Criminosa”.



Um dos pontos que a PF aponta como graves, mas sobre os quais a
investigação não tem clareza sobre possível cometimento de crime é uma
mensagem que a deputada copia e cola para o celular de Renato Araújo
falando que está sofrendo pressão. A PF suspeita que a mensagem se
refere a pagamento de valores acertados anteriormente.



“A análise isolada da mensagem não permite entender o seu contexto, mas
o fato de ter sido encaminhada a Renato indica a possibilidade de ser
relacionada a propina acertada para manipulação de processos sindicais,
devendo tal hipótese criminal ser averiguada após o deferimento das
medidas que serão pleiteadas nesta peça (busca e apreensão)”, diz a PF.



Autorização


A deputada obteve, nesta quinta-feira (14), uma decisão favorável do
ministro Edson Fachin, que a permitiu a ir a aniversário do pai, Roberto
Jefferson, mesmo diante da proibição que o magistrado lhe havia imposto
quanto a falar com os demais investigados. O pai é também suspeito de
dar ordens executadas no ministério.



Fachin disse que este é um “imperativo e humanamente compreensível
dever familiar” e pediu que a PGR opine, em até cinco dias, sobre o
alcance das medidas determinadas contra a deputada, que também deseja
permissão para se reunir com dirigentes do PTB, como o próprio pai, que é
presidente do partido, e Jovair Arantes, que é o líder na Câmara.







Além de direcionar registros de acordo com interesses pessoais, a PF
aponta que a deputada trabalhava nos bastidores para reforçar o quadro
de servidores do Ministério do Trabalho com integrantes que favoreciam o
PTB. Essas movimentações da deputada aconteciam em um contexto em que o
núcleo administrativo da organização criminosa estava se reestruturando
segundo a PF. Um “importante reforço” foi o retorno à pasta de Jéssica
Capeletti, ligada a Renato. A PF aponta que Cristiane Brasil trabalhou
para isso.



Na troca de mensagens se percebe que, quando Renato Araújo informou da
nomeação de Jéssica, a deputada chegou a comemorar. “Jéssica aprovada na
Casa Civil!!”, disse Renato. “Ebaaaa” respondeu Cristiane Brasil.



Ao pedir para vasculhar endereços da deputada e impedi-la de frequentar
o Ministério do Trabalho e falar com demais investigados, a PF apontou
que as providências “certamente frearão a ingerência da investigada
sobre a SRT”. Mesmo assim, o delegado mostrou preocupação de que as
atividades criminais praticadas dentro da pasta possam continuar.



“Considerando todo o contexto exposto no tópico precedente, e não sendo
viável sequer de se cogitar a decretação de prisão preventiva da
investigada, por conta da imunidade formal que goza, a imposição de
medidas cautelares diversas da prisão é a única saída para interromper –
ou pelo menos abrandar – a atuação da ORCRIM (organização criminosa),
que, pelo visto, continuará em atuação mesmo depois do cumprimento das
ordens de segregação cautelar e demais medidas expedidas por essa Corte
Suprema, com a indicação de novos membros para a ocupação de cargos na
SRT, que passarão a atuar sob a regência de CRISTIANE BRASIL”, afirmou a
PF.



O delegado Leo Garrido, no entanto, destacou que “não é viável sequer
de se cogitar a decretação de prisão preventiva da investigada, por
conta da imunidade formal que goza”.



Defesa


A defesa de Cristiane Brasil foi questionada sobre as afirmações dos investigadores, mas ainda não enviou resposta.

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