Motoristas de caminhões cobram cumprimento da tabela do frete

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Aprovada pelo Congresso na quarta-feira
(11), a medida provisória do frete foi comemorada pelos caminhoneiros,
que dizem esperar que as empresas passem a seguir a tabela de preços
para o transporte de cargas.



“Acabou a choradeira”, disse o caminhoneiro Valdomiro de Quadros de
Cascavel (PR). Segundo ele, antes, os empresários tentavam “levar
vantagem” na hora de calcular o custo. “Agora tem um valor X que serve
de base.” Sem falar em valores, ele disse que já viu diferença no valor
do frete do Sul do País até Bragança Paulista (SP).


O caminhoneiro Aislan Almeida Oliveira afirma que ainda há empresas se
negando a seguir a tabela. “O jeito nesse caso é não aceitar pegar
serviço.”



A tabela em vigor foi editada no dia 30 de maio. Mas, de acordo com a
MP, a definição dos preços mínimos ficará a cargo da ANTT (Agência
Nacional de Transportes Terrestres). O tabelamento é criticado pelo
agronegócio.



“Nosso trabalho é muito difícil e exige boa remuneração”, justifica
Almir César da Silva Medeiros, caminhoneiro de Cuiabá (MT). Ele cita
situações sempre presentes que encarecem o serviço, como a má qualidade
das estradas, o custo da alimentação e a falta de segurança.



Transportando cargas de Sul a Norte do Brasil há dez anos, o gaúcho
Fabio Moraes de Araújo, de 30, acredita que a tabela, caso seja
sancionada pelo presidente Temer, poderá não funcionar como esperado. “A
maioria das transportadoras não quer pagar o preço mínimo.”



Autônomo, Araújo citou como exemplo o preço do frete mínimo para os
1.150 km de Porto Alegre a São Paulo: R$ 6.700, conforme a tabela da
ANTT. Segundo ele, as transportadoras se negam a pagar esse valor e
oferecem a metade do preço.



Para ele, a medida pode criar um mercado paralelo. “Se tu não quiseres
transportar a carga, outros transportam por um valor bem mais baixo.”



O presidente do Sindicato das Empresas do Transporte de Cargas do
Estado de Mato Grosso (Sindmat), Eleus Vieira de Amorim, declarou apoio à
MP, embora o tabelamento tenha sido pleito dos caminhoneiros autônomos.
“Quem mais contrata autônomo no País são as empresas de transportes
rodoviários de cargas. Agora teremos que pagar um preço mínimo, mas
também iremos receber um preço mínimo de frete.”



Amorim disse que não acredita que o tabelamento do frete para o
transporte de cargas vai trazer impacto no custo da cesta básica do
brasileiro. “O mercado já estava praticando o preço mínimo”, afirmou.



As duas maiores entidades do setor produtivo de Mato Grosso, a Famato
(Federação Mato-grossense de Agricultura) e a Aprosoja (Associação dos
Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso), são contrárias à MP.



“Teremos que ter cautela ao avaliar todos os pontos da MP. Algumas de
nossas preocupações, como o retorno do caminhão vazio sobre o qual
teríamos que pagar caso o motorista não encontrasse frete de retorno,
foi retirado da proposta”, disse o presidente da Aprosoja, Antônio
Galvan. fonte R7.

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