Itamaraty tenta conter pressão diante do assassinato de Marielle

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O Itamaraty enviou a todas suas embaixadas do mundo
instruções para que os diplomatas do brasileiros entrem em contato com
autoridades locais e com formadores de opinião para “expor de maneira
mais ampla possível as medidas tomadas pelo governo para esclarecer o
assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes“.

Horas depois do anúncio da morte da ativista, grupos, entidades e
partidos políticos no exterior passaram a condenar a violência no
Brasil.

Na ONU, a entidade fugiu de sua tradicional prática de esperar dias
para fazer um comentário e, menos de 24 horas depois do assassinato,
emitiu uma dura nota exigindo que houvesse uma investigação sobre o
caso, assim como garantias de que os responsáveis fossem levados à
Justiça.



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No Parlamento Europeu, uma coalizão de partidos de esquerda composta
por 52 deputados enviou uma carta para a chefe da diplomacia do bloco
pedindo a suspensão das negociações entre Mercosul e Europa até que o
Brasil desse respostas sobre a proteção a defensores de direitos
humanos.



ONGs estrangeiras  reforçaram a repercussão internacional, com
comunicados e denúncias. Relatores da ONU também passaram a se mobilizar
para pedir explicações formais ao governo.



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Num primeiro telegrama, o Itamaraty informou sua rede de representantes
sobre a posição do governo, enviando anexos dos comunicados emitidos
pela presidência da República, pela Secretaria Especial de Comunicação
Social, pelo ministro de Direitos Humanos, Gustavo Rocha, e pela
Secretaria de Políticas para Mulheres.



Segundo o jornal O Estado de São Paulo, um segundo telegrama também foi
enviado, instruindo certas embaixadas a ter uma atitude mais “ativa”. A
orientação, nesse caso, era de que os postos fossem em busca das
autoridades nacionais onde estavam para dar a posição oficial do que vem
sendo feito para elucidar o caso.



Mas a onda de críticas promete crescer nos próximos dias. Agnes
Callamard, relatora da ONU para execuções sumárias, não esconde sua
preocupação sobre a situação brasileira. Ela revelou que, em um ano,
enviou cinco cartas sigilosas ao governo brasileiro exigindo respostas
sobre assassinatos ocorridos no Brasil.



— O trágico assassinato de Marielle Franco é um desenvolvimento extremamente preocupante para o Brasil, disse.



Nos bastidores, organizações não-governamentais estrangeiras e
brasileiras estão se mobilizando para usar o caso da ativista carioca
para expor as autoridades brasileiras na ONU, possivelmente em uma
reunião na sede das Nações Unidas em Genebra.

Campanha CLDF

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