Homem que atirou em família de brasileiros na França era delinquente sexual e colecionava armas em casa

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O autor do ataque visando uma família de brasileiros no sul da França na quinta-feira (13) já tinha passagem pela polícia. O atirador havia sido condenado por agressão sexual e colecionava armas de fogo.

A polícia divulgou algumas informações sobre o autor do ataque visando o casal de baianos Cristiane Tavares, 36 anos, e André Modenezi, 39 anos, que foram alvos de tiros no apartamento onde moravam em Toulouse, no sul da França. O atirador, vizinho das vítimas, é um francês de 32 anos que havia sido condenado em setembro de 2011 por agressão sexual contra um menor de 15 anos. Ele havia sido julgado e condenado a três anos de prisão com surcis. Segundo as autoridades locais, ele sofria de distúrbios psicológicos.

Ao ser detido na quinta-feira logo após o ataque visando o casal de Vitória da Conquista, o autor dos tiros disse que era alvo de um complô. Em declaração feita à imprensa, o procurador de Toulon, Bernard Marchal, informou que o atirador se dizia perseguido “por pessoas que queriam castrá-lo quimicamente” e que ele “suspeitava de que os vizinhos faziam parte do complô”. No entanto, os brasileiros afirmam que, apesar de saberem que o francês morava no prédio, não o conheciam.

“Pensei que fosse ataque terrorista”

O crime aconteceu no bairro residencial de La Loubière, por volta das 9h, quando Cristiane Tavares, que faz mestrado na França, saía para a universidade. A brasileira, que mora com o marido e o filho de quatro anos no primeiro andar de um prédio, estava no corredor quando foi atingida nas costas pelo atirador, que mora no segundo andar. Em entrevista à imprensa brasileira, ela disse que pensou ter sido vítima de uma descarga elétrica e, apenas quando voltou para correndo para o apartamento, constatou que estava ferida à bala.

“Sentei no sofá e meu marido percebeu que tinha alguma coisa na roupa, como se fosse sangue”, relatou. Quando André se aproximou da porta do apartamento, o atirador entrou, disparando, diante do filho do casal. “Foi naquele momento que a gente percebeu que se tratava de um ataque”, se recorda.

A agressor saiu do apartamento para recarregar sua arma e Cristiane trancou a porta e correu até a janela para pedir ajuda. “Comecei a gritar ‘terrorista, terrorista’, porque pensei que se tratava de um ataque terrorista”

Atirador foi tomar café em casa após ataque

A polícia foi avisada pelos vizinhos, que ouviram os tiros e os gritos da brasileira. Ao chegar no prédio, o autor dos disparos tinha voltado para seu apartamento. Ele foi encontrado segurando uma arma e tomando café sentado à mesa. O atirador não resistiu à prisão.

Após ser interrogado e examinado por um médico, ele foi levado para um hospital psiquiátrico. A polícia fala de um “momento de loucura” e “delírio paranoico”.

Os investigadores encontraram várias armas na casa do francês. Pelo menos duas pistolas e um fuzil foram declarados pela polícia, além de muita munição. Segundo a imprensa local, tratava-se de armas antigas, de coleção, mas que funcionavam.

Cristiane passa bem, mas marido sofreu duas cirurgias

O casal foi hospitalizado imediatamente. Pedro Gomides, cônsul-adjunto do consulado do Brasil em Paris e chefe do setor de assistência a brasileiros, informou à RFI nesta segunda-feira (17) que Cristiane passa bem, apesar dos ferimentos. Já André, atingido no abdômen, foi submetido uma primeira cirurgia e, inicialmente, corria risco de morte de chegou a ficar em coma induzido. 

Mas de acordo com o representante consular, que conversou com os médicos, ele seria operado novamente e teria registrado uma “evolução positiva”. “Mas o médico disse que os riscos não poderiam ser descartados”, explicou Gomides. O filho do casal não sofreu nenhum ferimento.

As autoridades consulares continuam seguindo o caso. O cônsul-adjunto lembra que, desde abril de 2019, um serviço de assessoria psicológica e jurídica foi criado para todos os brasileiros que vivem na França. “Ninguém foi deslocado para Toulon, mas colocamos o serviço à disposição da família”, explicou Gomides.

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