Cuidado mental e natureza andam juntos na Granja do Riacho I

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Em área de preservação ambiental, os 32 mil hectares que formam a
Granja do Riacho Fundo são o cenário ideal para os cuidados da mente
humana na capital do País.




No espaço estão o Centro de Atenção Psicossocial (Caps), uma casa de
passagem para pacientes com transtornos mentais e um ambulatório também
específico para esse público. Todos são parte da rede pública de saúde
do DF.




“Embora esteja em área urbana, as características são rurais. Você se
desassocia da confusão da cidade, o que favorece muito o tratamento”,
avalia o diretor de Atenção Secundária da Região Centro-Sul, Evilásio
Sousa Ramos.




O lugar, repleto de flora do Cerrado, ainda conta com farmácia (que
atende pacientes de dentro ou não da unidade), salas para atividades em
grupo, quadra poliesportiva, centro de convivência e tendas. Há ainda
trilha e uma piscina de água natural.




Para Naiara Moreira, de 32 anos, a sombra das árvores e o barulho dos
pássaros são parte importante do seu tratamento. “Quando eu estou em
crise, às vezes, venho para cá só para ficar aqui sentada”, conta a
administradora.




Ela destaca que, além do ambiente, também gosta do atendimento
humanizado prestado no local. “Sempre vai ter alguém para segurar minha
mão e me dar um abraço.” Naiara começou o atendimento há cerca de dois
anos e hoje vai à granja pelo menos uma vez por semana.




A mãe dela, Joana, também começou tratamento na mesma época. “Nos
ensinam que quando alguém da família passa por alguma coisa, todos são
afetados”, explica Naiara. Os grupos de que mãe e filha participam são
diferentes.




Ainda há visitas domiciliares para acompanhar a rotina dos pacientes
com a família em casa. São encontros de rotina, para avaliar como está a
medicação e o ambiente familiar.




Outro tipo de visita domiciliar é o Programa Vida em Casa, que faz
busca ativa de pessoas que precisam de assistência, mas não têm
condições de se locomover até o Caps. Nesse caso, uma equipe
multidisciplinar vai até o usuário até que ele consiga comparecer ao
espaço.




ACESSO – Antes de iniciar alguma das atividades, o
paciente passa pelo acolhimento. O centro recebe tanto demandas
espontâneas, quanto encaminhamentos pela atenção primária. Equipes de
saúde da família, que atendem nas unidades básicas de saúde, recebem com
frequência matriciamento das equipes multidisciplinares.




A ideia, segundo a gerente do Caps, Alanna Mara Forrest, é que as
equipes responsáveis pelo paciente na atenção primária tenham a maior
capacitação possível para recebê-lo de volta.




Para ter acesso ao atendimento, basta ir até o local, de segunda a
sexta-feira, das 8 às 18 horas, com documento de identificação,
comprovante de residência e cartão do SUS. A granja fica na Avenida
Sucupira, no Riacho Fundo I.




O espaço, que no regime militar serviu de residência para membros do
governo, foi o primeiro Instituto de Saúde Mental criado em Brasília e
um dos primeiros do País. O tipo de atendimento é referência na rede
pública.




Atualmente, o serviço é destinado a pacientes da região de saúde
Centro-Sul (Asa Sul, Candangolândia, Guará, Estrutural, Lago Sul, Núcleo
Bandeirante, Park Way, Riacho Fundo, Riacho Fundo II, Setor
Complementar de Indústria e Abastecimento e Setor de Indústria e
Abastecimento), além de Santa Maria e Gama, que não contam com
assistência de saúde mental.




O plantão psicológico e as práticas integrativas em saúde, no entanto, são abertas à comunidade em geral. São elas:



. Automassagem

. Reiki

. Lian Gong

. Terapia comunitária integrativa

. Yoga



As outras atividades oferecidas pelo Caps, são:



. Coral

. Dança

. Espaço criativo

. Grupo de convivência

. Grupo de mulheres

. Grupo de mútua ajuda

. Grupo Ouvidores de Vozes

. Horta

. Oficina de mosaico



Ao todo, 450 pacientes têm prontuário ativo no centro atualmente, e a
média de atendimento diário é de 84 pessoas. No caso do ambulatório,
2.500 são cadastradas atualmente.




Já a casa de passagem, que abriga por tempo indeterminado pessoas com
algum transtorno mental que tiveram conflito com a lei, mas já
cumpriram sua pena, tem 32 moradores hoje.




Eles recebem assistência da equipe 24 horas por dia. Os pacientes
ficam na granja até que o vínculo com a família seja restabelecido, com a
ajuda dos profissionais locais.


 Agência Brasília

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